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terça, 16 fevereiro 2010 00:38

Roteiro Turístico de Évora

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Com pouco mais de 50 mil habitantes, Évora fascina pela monumentalidade e pelo equilíbrio da paisagem urbana. O seu centro histórico, classificado pela UNESCO desde 1987 como "Património da Humanidade", é considerado um modelo de preservação dos vestígios do passado, apesar de nele habitarem mais de 18 mil pessoas. Até há cerca de 50 anos, constituía o essencial da cidade e eram poucos os edifícios ou arruamentos existentes nos espaços exteriores. Vastos campos de trigo, canaviais e ferragiais circundavam então o velho burgo.

Hoje, a cidade ultrapassou as muralhas e espraia-se por cerca de 40 bairros circundantes. Merece particular destaque o bairro da Malagueira, concebido por Siza Vieira e premiado internacionalmente. Não esquecer, porém, outras intervenções recentes: o Centro Comercial Eborim (Fernando Bagulho), as lojas e habitações de Santa Catarina (Silva Graça) e a inteligente renovação do Teatro Garcia de Resende (Miguel Lima).
A quem visita Évora recomenda-se que, antes de frequentar as muralhas (cerca nova datada do séc. XIV), admire o Aqueduto da Água de Prata, cuja construção remonta a 1574 e trazia água da Graça do Divor para a Praça Grande (do Giraldo), agora praticamente desafrontado em virtude da modificação e da modernização dos acessos à cidade.

Perto do local onde a sua monumental arcaria emerge, fica o Convento da Cartuxa, um notável exemplar da arquitetura seiscentista, no qual atualmente cinco escassos monges persistem em manter aceso o espírito da ordem, vivendo em rutura com o mundo. A dois passos situa-se o Convento de S. Bento de Castris, a mais antiga fundação monástica do Sul do país. Começou por ser ermida em 1169 e transformou-se em igreja conventual em 1328. Ainda for a das muralhas, no vasto Rossio, ergue-se a Ermida de S. Brás, construída cerca de 1490 para substituir uma albergaria que serviu de acolhimento aos afetados pelo surto de peste.

Para entrar no centro histórico, ou na «cidade» como lhe chamam os eborenses, é preferível deixar o automóvel num dos muitos parques periféricos junto às antigas defesas da urbe. No centro histórico, o trânsito é condicionado e a maioria dos locais de estacionamento não pode ser utilizado por mais de uma hora. Passadas as antigas portas (só a de Aviz mantém a traça original), a cidade surge com todas as características dos velhos burgos medievais. Labirínticas e apertadas ruas e travessas, terminadas por vezes em sombrios becos e pátios, trazem à imaginação todo um riquíssimo passado. 

Janelas, pórticos e colunas carregados de ecos de outros tempos bailam na frente dos olhos a cada momento. Não só nas belas casas senhoriais mas também naquelas que outrora eram da população e constituem parte substancial desse emaranhado sinuoso de artérias, descongestionado pelo aparecimento de uma praça, um largo ou um pátio (espetacular o de Salema), onde normalmente se encontram fontes ou chafarizes, numa demonstração clara de que a água sempre foi um problema crucial para as populações da região.

Em Évora todos os caminhos confluem para a Praça do Giraldo, antigamente denominada Praça Grande. Considerada a sala de visitas da urbe, conserva um carácter muito próprio, que lhe é assegurado pela magnífica arcaria medieval com arcos de volta redonda e ogivais que se prolongam para lá dos seus limites. A artística fonte coroada (1571) e a Igreja de Santo Antão (1557), obras mandadas executar pelo cardeal-infante D. Henrique, que ocupava por essa altura a cadeira metropolitana de Évora, completam o cenário daquele que foi e continua a ser o grande espaço comercial da cidade.

A intervenção de diversos arquitetos locais nas pequenas lojas da zona soube respeitar os sempre difíceis contextos histórico-monumentais. Dali saem, para Sul, as ruas da Moeda e dos Mercadores (antiga Judiaria) e, para Norte, a Rua Selaria (principal rua de comércio artesanal e hoje com o nome de 5 de Outubro). Por esta se chega ao Largo da Sé, onde se situa a magnífica catedral, o mais acabado exemplar português da arquitetura romano-gótica.

A Sé alberga o Museu de Arte Sacra, disposto em três salas. Na primeira, nas janelas góticas insertas em arcos românicos, se mostram as imagens góticas que completam as que se podem apreciar da Porta dos Apóstolos e no claustro. Na segunda, longa e iluminada por frestas romano-góticas, destacam-se uma magnífica colecção de paramentos vermelhos e de seda branca bordada a ouro e esculturas góticas em madeira policroma. A terceira guarda um precioso conjunto de ourivesaria religiosa em prata e prata dourada encastoada com pedras preciosas. Notáveis, alguns relicários e custódias dos sécs. XV e XVI.

Junto à Sé, no Largo do Conde de Vila Flor, no edifício do antigo Paço Episcopal fica o Museu Regional, com interessante colecção de pintura. Destaca-se um núcleo de quatro quadros de Josefa de Óbidos, um dos quais o famoso «Cordeiro Místico». De referir um conjunto de pintura portuguesa do séc. XVI, da Corte de D. Manuel: um trípico de Gregório Lopes Diogo de Contreira, Francisco Henriques e Frei Carlos, que tinha oficina em Évora. Ainda uma colecção de retratos da Corte portuguesa do séc. XVII (D. João IV, D. Catarina de Bragança e D. Afonso VI), um grande retábulo da Sé de Évora no início do séc. XVI e um políptico da vida da Virgem em 13 quadros. Existém também uma boa colecção de ourivesaria e joalharia proveniente do espólio de vários conventos extintos e, nos claustros, uma colecção arqueológica, de escultura e elementos arquitectónicos, cujo arranjo museológico foi feito por Tavares Chicó.

Nas imediações da Sé e em redor do Templo Romano (séc. III), ex-libris da cidade e edifício ligado ao culto dos imperadores, foram cosntruídos numa primeira fase o Paço Episcopal (actual Museu Regional), o Celeiro do Cabido e o Colégio dos meninos da Sé, constituindo modernamente estes dois últimos imóveis, a Biblioteca Pública da cidade. São de uma fase mais tardia a igreja e o convento dos Lóios (actual pousada), a actual residência do inquisidor-mor (Serviços Pastorais da Arquidiocese) e o Palácio da Inquisição, tomado aos condes da Vidigueira e depois mandado remodelar. Não muito longe, mas em zona que já não era da sua predilecção, o inquisidor-mor fez instalar a Universidade do Espírito Santo, a que juntou uma igreja que recebeu o mesmo nome. Espalhada por toda a cidade ficou uma série de templos (igrejas da Misericórdia, S. Mamede, S. Tiago, S. Salvador, S. Vicente e Senhor da Pobreza), de conventos (de Santa Mónica, Novo e Santa Clara) e de colégios (S. Manços e S. Paulo). Tudo isto culmina na igreja e convento da Nossa Senhora da Graça, exemplar único na Península Ibérica, de imponente fachada em estilo barroco italiano. Em muitos desses edifícios as artes ornamentais são de inestimável valor, nomeadamente nos capítulos da pintura mural, da azulejaria e da talha dourada que compõe os altares.

Pelas encostas da colina da Sé começa a descer-se para a implantação da nobreza. Ainda perto da Catedral, o Palácio dos Duques de Cadaval e a Torre das Cinco Quinas anunciam já o peso dessa presença, que contínua no magnífico e imponente Palácio dos Condes de Basto (séc. XIII) e no gracioso Solar dos Condes de Portalegre (séc. XVI), para atingir a sua máxima expressão no Largo das Portas de Moura, o segundo maior intramuros. No centro deste situa-se o monumental chafariz do mesmo nome (séc. XVI) e ao seu redor localizam-se a Casa Cordovil, o Paço de D. Fernando Mascarenhas, posterior residência dos condes da Serra da Tourega, e a Casa Soure. Aparentemente desenquadrada do ambiente aí se encontra plantada também a casa do cronista e poeta palaciano eborense Garcia de Resende, facilmente reconhecível pela beleza da sua janela, de estilo manuelino-mudejar, construída em mármore e granito da região.

Por ruas como a dos Três Senhores ou a dos Infantes se caminha para o local onde se acomodou a nobreza em permanência nos reinados de D. João II e D. Manuel. É bem conhecido o palácio com o nome deste último, do qual apenas resta a Galeria das Damas. Bem perto fica a igreja real de S. Francisco (finais do séc. XV) e adjacente Capela dos Ossos, obra macabra, coberta por ossadas provenientes dos cemitérios monáticos. Um pouco mais acima, já na subida que conduz à Praça do Giraldo, encontra-se o Real Celeiro Comum, criado em 1587 mas só para ali transferido nos finais do séc. XVIII, após demolição dos Paços do Duque de Coimbra, D. Jorge de Lencastre, filho de D. João II. É considerada uma notável obra de arquitectura civil barroca.

Évora foi uma das mais importantes cidades portuguesas da Idade Média, várias vezes Corte da monarquia da I e II Dinastias.

Ler 44537 vezes Modificado em sexta, 24 outubro 2014 14:11

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